Pelo
Amor ao Próximo,
Ou
Pelo
Salário Alto?
Acredito que
existem pessoas que não sabem fazer melhor coisa do que ajudar os outros,
ajudar quem precisa, assim como acredito que existem pessoas que aproveitam-se
daquilo que aprenderam para ganhar muito dinheiro. O que na verdade não é de
tal forma negativa dependendo do que realmente se trata.
É verdade que
é com a nosa profissão que acabamos nos sustentando, e muitas vezes fizemos
mesmo só para nos sustentar. Por isso na maior parte fizemos sem paciência, sem
amor, e nos limitamos a fazer o necessário para ganharmos o nosso pão. Mas e se
o lema desta profissão, a ética desta profissão requer que demonstremos
consideração, compaixão, empatia e benevolência diante dos nossos clientes, ou
seja, pacientes? E se esta profissão for ser médico, enfermeiro ou um técnico
de aparelhos médicos?
Pois é, a
verdade é que parece que temos mais médicos po salário altos, ou pela soma de
salários do que a compaixão, a ideia de querer ajudar o próximo, salvar uma
vida.
Tenho quase a
certeza que não sou único a chegar a esta conclusão, ou a falar sobre isso, porque
o que se tem visto nos nossos hospitais é exactamente o contário de
compreensão, consideração, compaixão, benevolência e outras coisas mais que um
médico devia colocar em primeiro lugar antes de pensar no que ia receber pelas
suas habilidades.
Hoje em dia,
muitos médicos podem ser chamados de turbos médicos, pois trabalham em mais de
duas e por vezes mais de três hospitais. Acabam sendo impacientes com os
pacientes, porque querem despachar as consultas para puderem estar num outro
hospital, seja ele público ou privado, e na maior parte das vezes não chegam a
tempo nos outros hospitais e acabam não atendendo todos os pacientes presentes
que já lá estavam a espera dele por mais de duas ou três horas.
É verdade que
o nosso pais ainda carece de médicos, ainda faltam médicos para atender o
numero de pacientes que os hospitais albergam, principalmente quando se trata
de médicos por especialidades. Mas iss não justifica a falta de paciência e
compaixão pelas pessoas, pelos pacientes. Porque do mesmo jeito que existem
médicos que só aceitam atender um numero de pacientes por dia, existem outros
que atendem todo mundo que aparecer naquele mesmo dia, e na maior simpatia do
mundo, seguindo os verdadeiros valores de um médico.
O nosso
sistema de saúde já não é dos melhores, a falta de médicos ainda é assustador,
logo, os que temos, os que podemos contar com eles podiam levar estes valores
mais a sério, mais em consideração, porque é muito triste o que se tem visto.
Por esta
razão, pelas atitudes negativas de certos médicos, algumas pessoas já nem podem
ouvir falar de um ou outro hospital ou clinica, acabando colocando em causa a
integridade destes hospitais ou mesmo clinica, porque na maior parte das vezes,
quando um médico ou mesmo enfermeiro tem este comportamento, é da clinica ou
hospital que falamos mal, e acabamos tendo uma imagem negativa de todos que lá
trabalham.
Os pontos
negativos são tantos que até dão medo de falar. Já assisti a dois médicos que,
enquanto um tentava salvar a vida de um senhor que se encontrava numa maca, mal
respirava mas ainda estava na sala de espera para ser consultado em vez de
estar a receber já tratamentos de urgência, o outro médico, na verdade uma
médica, apenas dizia a ele para desistir, que este já era, que estava nas
ultimas. Agora eu me pergunto, quantas pessoas nós vimos nas últimas e acabam
sendo salvas? Será que a desistência não vem só quando esta pessoa é declarada
morta? Onde é que ficou a vontade de salvar vidas?
Talvez esteja
a exagerar, mas eu partilho da opinião de que existem profissões que não
podemos escolher, ou querer exercer apenas pelos rendimentos, pelo salário
alto. Com todo o respeito que tenho pelos médicos, enfermeiros, se realmente
foram para faculdade estudar isto pelo dinheiro, pelo salário alto ou pela soma
de salários, por favor, desistam e façam cursos de engenharia de petroleos,
informática, arquitectura e muitos outros que podem fazer pelo salário alto ou
pela soma deles. Mas médico, não mesmo. Fala sério.
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